Quarta-feira, 03 de agosto de 2005
18ª SEMANA DO TEMPO COMUM
cor litúrgica verde
Leitura:
Nm 13,1-2.25-14,1.26-30.34-35
Salmo:
105,6-7b.13-14.21-22.23
Evangelho:
Mt 15,21-28
Santos do Dia: Gamaliel; Nicodemos; Germano de Anxerre; Aspreno de Nápolis; Marana; Cira; Dalmácio; Eufrônio; Bem-Aventurado Breno.

A vida nos oferece muitas possibilidades de crer. Nós cremos em pessoas, em fatos e, sobretudo, em Deus. Essa fé nos guia e impulsiona a viver. E a fé cristã nos dá a certeza de que nossa vida e salvação estão em Cristo.

Oração do dia: Manifestai, ó Deus, vossa inesgotável bondade para com os filhos e filhas que vos imploram e se gloriam de vos ter como criador e guia, restaurando para eles a vossa criação e conservando-a renovada. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leitura (Números 13,1-2.25-14,1.26-30.34-35)
Moisés, escutando a voz de Deus, envia um homem de cada tribo para inspecionar a terra prometida. O pessimismo e o desânimo diante das dificuldades motivam a ira divina.

Leitura do livro dos Números - Naqueles dias, o Senhor falou a Moisés, no deserto de Faran, dizendo: "Envia alguns homens para explorar a terra de Canaã, que vou dar aos filhos de Israel. Enviarás um homem de cada tribo, e que todos sejam chefes". Ao fim de quarenta dias, eles voltaram do reconhecimento do país e apresentaram-se a Moisés, a Aarão e a toda a comunidade dos filhos de Israel, em Cades, no deserto de Farã. E, falando a eles e a toda a comunidade, mostraram os frutos da terra e fizeram a sua narração, dizendo: "Entramos no país, ao qual nos enviastes, que de fato é uma terra onde corre leite e mel, como se pode reconhecer por estes frutos. Porém, os habitantes são fortíssimos, e as cidades grandes e fortificadas. Vimos lá descendentes de Enac; os amalecitas vivem no deserto do Negueb; os hititas, jebuseus e amorreus, nas montanhas; mas os cananeus, na costa marítima e ao longo do Jordão". Entretanto Caleb, para acalmar o povo revoltado, que se levantava contra Moisés, disse: "Subamos e conquistemos a terra, pois somos capazes de fazê-lo". Mas os homens que tinham ido com ele disseram: "Não podemos enfrentar esse povo, porque é mais forte do que nós". E, diante dos filhos de Israel, começaram a difamar a terra que haviam explorado, dizendo: "A terra que fomos explorar é uma terra que devora os seus habitantes: o povo que aí vimos é de estatura extraordinária. Lá vimos gigantes, filhos de Enac, da raça dos gigantes; comparados com eles, parecíamos gafanhotos". Então, toda a comunidade começou a gritar e passou aquela noite chorando. O Senhor falou a Moisés e Aarão e disse: "Até quando vai murmurar contra mim esta comunidade perversa? Eu ouvi as queixas dos filhos de Israel, Dize-lhes, pois: 'Por minha vida, diz o Senhor, juro que vos farei assim como vos ouvi dizer! Neste deserto ficarão estendidos os vossos cadáveres. Todos vós que fostes recenseados, da idade de vinte anos para cima, e que murmurastes contra mim, não entrareis na terra na qual jurei, com mão levantada, fazer-vos habitar, exceto Caleb, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num. Carregareis vossa culpa durante quarenta anos, que correspondem aos quarenta dias em que explorastes a terra, isto é, um ano para cada dia; e experimentareis a minha vingança. Eu, o Senhor, assim como disse, assim o farei com toda essa comunidade perversa, que se insurgiu contra mim: nesta solidão será consumida e morrerá'". - Palavra do Senhor.

Salmo responsorial (105,6-7b.13-14.21-22.23)

Refrão: Lembrai-vos de nós, ó Senhor, segundo o amor para com vosso povo!

1. Pecamos como outrora nossos pais, praticamos a maldade e fomos ímpios; no Egito nossos pais não se importaram com os vossos admiráveis grandes feitos. - R.

2. Mas bem depressa esqueceram suas obras, não confiaram nos projetos do Senhor. No deserto deram largas à cobiça, na solidão eles tentaram o Senhor. - R.

3. Esqueceram-se do Deus que os salvara, que fizera maravilhas no Egito; no país de Cam fez tantas obras admiráveis, no mar Vermelho, tantas coisas assombrosas. - R.

4. Até pensava em acabar com sua raça, não se tivesse Moisés, o seu eleito, interposto, intercedendo junto a ele, para impedir que sua ira os destruísse. - R.

Evangelho (Mateus 15,21-28)
Jesus se defronta com a atitude de fé da mulher cananéia: esta sente necessidade de salvação para a filha e sabe que a fonte é o próprio Cristo.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus - Naquele tempo, Jesus retirou-se para a região de Tiro e Sidônia. Eis que uma mulher cananéia, vindo daquela região, pôs-se a gritar: "Senhor, filho de Davi, tem piedade de mim: minha filha está cruelmente atormentada por um demônio!" Mas Jesus não lhe respondeu palavra alguma. Então seus discípulos aproximaram-se e lhe pediram: "Manda embora essa mulher, pois ela vem gritando atrás de nós". Jesus respondeu: "Eu fui enviado somente às ovelhas perdidas da casa de Israel". Mas a mulher, aproximando-se, prostrou-se diante de Jesus e começou a implorar: "Senhor, socorre-me!" Jesus lhe disse: "Não fica bem tirar o pão dos filhos para jogá-lo aos cachorrinhos". A mulher insistiu: "É verdade, Senhor; mas os cachorrinhos também comem as migalhas que caem da mesa de seus donos!" Diante disso, Jesus lhe disse: "Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como tu queres!" E desde aquele momento sua filha ficou curada. - Palavra da Salvação.

LITURGIA DIÁRIA Nº 164, Agosto de 2005 - PAULUS

COMENTANDO O EVANGELHO

Quem são as ovelhas perdidas?

             O encontro com a mulher pagã, como que obrigou Jesus a alargar as dimensões de sua missão. No diálogo tenso com a mulher cananéia, ele deu a entender que os destinatários de sua missão era o estreito grupo das "ovelhas perdidas da casa de Israel". Sua salvação tinha um destino certo: única e exclusivamente, o povo judeu, povo da predileção divina com o qual Deus havia feito uma aliança. Esta predileção levou à idéia do exclusivismo: só Israel seria objeto da salvação. Jesus também pensava assim. 
             A cananéia convenceu-o com um argumento irrefutável: se aos filhos é reservado o pão, pelo menos sobram as migalhas para os cachorrinhos. Nem se importou de comparar-se aos cachorrinhos, à espreita de um pedacinho de pão caído da mesa de seu dono. Existia fé maior do que esta? 
             Este incidente bastou para que Jesus tomasse consciência de que existem muitas ovelhas perdidas, fora da casa de Israel. Assim como viera para os de Israel, era mister acolher indistintamente a quantos dele se aproximavam. Ovelha perdida era qualquer pessoa carente de ajuda, que não tinha com quem contar; era o povo abandonado, expoliado e explorado, largado à mercê dos prepotentes; era o povo marginalizado, sem distinção de raça. Jesus compreendeu que tinha sido enviado para todos. Que os discípulos aprendessem esta lição e deixassem de lado seus preconceitos. 

             Oração: Pai, dá-me um coração suficientemente grande para compreender que tu queres a salvação de todos, sem distinção, pois para todos enviaste teu Filho Jesus.

O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A, Pe. Jaldemir Vitório - PAULINAS